Médico de SP diz que Anvisa quer tornar assunto médico em tema policial

Questão médica ou policial?

Transformarmos questões médicas em problemas policiais não parece obedecer qualquer lógica evolutiva.

No âmbito médico as equações contemplam causa, efeito, e, principalmente, no “como” e “aonde” interferir nesta seqüência, fazendo com que a resultante orgânica repouse ao menos no bem estar.

O conhecimento médico deve ser capaz de tomar seu rumo em meio à pluralidade humana.

Não fumem, porém, ultrapassada esta vidraça, estaremos entre medicamentos, tubos de oxigênio e centros cirúrgicos, aptos a amenizar sofrimentos.

No plano policial temos regras obvias, onde a individualidade humana se submete sumariamente a regras coletivas ditadas e geridas pela sociedade em questão.

“Não roubem”, contudo, ultrapassada esta porta, punição.

Fácil assim, ainda que caibam discussões quanto a quesitos operacionais. Distante de questionar as boas intenções dos 3 integrantes da Anvisa (dois serão nomeados pela presidente Dilma, para o total de 5), contesto, contudo, a arbitrariedade da instituição na interpretação dos extensos estudos científicos sobre o tratamento farmacológico da Obesidade.

Decisões setoriais da prática médica, sejam quais forem, devem invariavelmente ser discutidas com a especialidade médica em questão, a qual, com ampla vantagem reúnem a vanguarda na competência interpretativa para estudos específicos.

Ora, se estamos nos baseando em países desenvolvidos para retirada destas medicações do mercado, porque nos esquecermos do FDA dos EUA e os referentes departamentos em outros países. Admitir a Comunidade Européia, com todos os seus problemas institucionais e divergências internas, como referência ao mundo desenvolvido, é um pouco de automenosprezo, e muito de supervalorização do mundo europeu, que de longe, é o que mais se auto questiona nos dias atuais.

Nem mesmo um ano se passou desde a retirada destas medicações daquele mercado, e já por lá muito se discute se a conduta foi acertada, gerando enormes correntes contrárias a tal decisão.

O motivo que levou à retirada da Sibutramina do mercado europeu foi a interpretação do estudo Scout, no qual foi encontrado aumento no risco de morbidade em pacientes acima dos 55 anos, com risco coronariano e co morbidades, contudo, em bula já havia tal contra indicação. O motivo do veto à medicação?

Deve passar também por questões extramédicas. Saibam que: o Lítio, amplamente utilizado no tratamento depressivo, não raro traz transtornos de dificílimo controle em nível da função tireoidiana, enquanto que o muito bom antiarrítmico amiodarona tem relação íntima com distúrbios na mesma glândula.

O Propranolol, anti- hipertensivo e antiarrítmico extensamente utilizado na prática clínica, potencialmente pode levar a óbito por broncoespasmos, e conseqüente insuficiência respiratória em pacientes suscetíveis.

A Furosemida, potente diurético depletor de potássio, se tomado inadvertidamente, muitas vezes na intenção da diminuição do peso, outras no controle da Insuficiência cardíaca congestiva, não raro leva a parada cardíaca.

Saibam ainda que o inocente Acido Acetil Salicílico, vendido até mesmo em padarias, junto a outros anti inflamatórios, estão entre as principais causas de morte por Hemorragia Digestiva.

A cultuada dipirona pode levar a Aplasia medular (destruição da formação de células sanguíneas) entre outros problemas sanguíneos. As famosas impotências eréteis ainda não saíram de cartaz para o uso de alguns anti- hipertensivos.

Descreveria páginas quanto ao péssimo potencial de uma enormidade de fármacos, a questão é: tiramos tudo do mercado farmacêutico? Evidentemente que não, individualizemos os tratamentos, entreguemos isto a quem é de direito e dedicou a vida a tais estudos, ou então, questionemos nossas instituições médicas, modifiquemos.

Façamos algo para que a medicina tenha suas condutas discutidas pelas pessoas que lidam com esta profissão, e não por um pequeno grupo, o qual, por mais bem intencionado, dificilmente estará onipresente na vanguarda de tantas especialidades médicas.

Já nos fracionamos no meio médico quase como partidos políticos, com as várias especialidades criando universos próprios, com cada uma delas gerando grandes nichos, quase partidos políticos.- Para nós a hipertensão, para eles síndrome de ovário policístico, -depressão menor é de todo mundo, esquizofrenia que tenha o especialista, -trato doenças e o outro ganha fácil com cremes, -o remédio deste colega (o outro médico) é criminoso, o meu tem cunho científico.

Em grandes jornais, quase como debate de presidenciáveis, me deparo com outros especialistas, no lado “contra” medicações para emagrecimento (sei que não refletem a opinião de todos), cirurgião (especialista em cirurgia bariátrica) em êxtase atestando estes tratamentos como improdutivo, cardiologista nominando o mesmo como criminoso, psiquiatra enumerando problemas comportamentais gerados por tais terapias. E por aí vai. Não pretendo discutir risco cirúrgico e as conhecidas seqüelas, ainda que algo sobre medicações tenha sido referido anteriormente.

Prefiro apenas aceitar as indicações. Sabemos que a indústria farmacêutica obtém amplos ganhos nas vendas de antiinflamatórios para doenças articulares, para as quais os gordinhos lideram o ranking, com anti-diabéticos, aonde os obesos são 80 por cento, anti-hipertensivos onde a obesidade é o principal fator agravante, e antidepressivos para inconformados com suas formas físicas.

Também entendemos o que é gerado em centros cirúrgicos com próteses em coronárias, quadril e coluna, com a grande participação dos pesados. Importante ainda anotar o quanto mais freqüente são os cânceres nos obesos.

Prefiro (e preciso) pensar que deixar o obeso à sorte de sua genética e de seu meio ambiente esteja longe de objetivos desumanos. No centro deste deleite está a população, que também já se decidiu por um lado ou outro, e alguns, como em boas campanhas, permanecem na indecisão. Saibam, porém, que se a arbitrariedade for vencedora, estaremos de fato, transformando um problema médico sem sua legítima solução, em uma questão policial, aonde oportunistas de plantão (já existentes em absurdo número) assumirão o controle desta gravíssima epidemia com nome de Obesidade.

Dr Antonio Carlos do Nascimento CREMESP 75426

Residência médica em Clínica Médica e Endocrinologia Especialista em Endocrinologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia Doutor em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP

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2 Comentários

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2 Respostas para “Médico de SP diz que Anvisa quer tornar assunto médico em tema policial

  1. é urgente, por favor…..alguem pode explicar , por favor….eu sempre confiei pelo meu medico, ele sempre cuidou do meu tireoide numa boa…..so que estou em duvida pq esse remedio eu nao conheço e gostaria de saber alguem ja tomou e estou muitas duvidas
    o meu medico me deu a receita para eu comprar na farmacia e esse remedio e para eu poder emagrecer….chama BIOMAG CLORIDRATO DE SIBUTRAMINA MINOIDRATADO-10 mg
    eu gostaria de saber que esse remedio e de confiança? eu tenho medo sobre a reaçao….
    sou deficiente auditiva, eu peso 66kg engordei pq preciso emagrecer com saude e por isso procurei para saber que esse remedio e de confiança
    ou ja pode tomar ou nao ….ou e risco?
    aguardo as suas repostas, grata

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