Sobre arapongas e tucanos – Parte I

Numa jogada desesperada, Serra, o PSDB e a imprensa golpista estão tentando se agarrar na violação do sigilo de dados da Receita Federal contra políticos da legenda. Tentam de todas as maneiras politizar o assunto, quando se trata de uma quadrilha que vendia dados para quem estivesse disposto a pagar. Acham que este escândalo pode alterar os rumos da eleição presidencial. Se a imprensa paulista não fosse tão tucana e engajada, poderia investigar e mostrar à sociedade, que em São Paulo é costume do governo espionar, bisbilhotar e tentar coagir quem é crítico do Palácio dos Bandeirantes. Consta que entre os alvos preferidos estão alguns jornalistas. As atividades da comunidade de informações tucana renderiam uma bela reportagem.

Fontes deste Bacalhau lembram que entre 2004 e 2006, na gestão Alckmin, pelo menos três jornalistas de veículos impressos foram espionados, seguidos e tiveram as vidas vasculhadas. No caso mais grave, uma experiente repórter de jornal foi coagida por dois policiais militares do serviço reservado. A missão deles era descobrir quem era a fonte de uma matéria que mostrava o aumento de crimes contra o patrimônio na região central da cidade de São Paulo. Foram publicadas estatísticas que a secretaria costuma esconder para preservar o mercado imobiliário e para não admitir as falhas estruturais de planejamento e política de segurança.

A assessora de imprensa do então secretário Saulo Abreu pediu um levantamento sigiloso (e criminoso) à Prodesp sobre quem teria acessado os dados. Como a pesquisa estava demorando, o Comando da PM resolveu dar uma mãozinha. Designou policiais para ajudar a assessora a descobrir quem passou as informações para a repórter. No melhor estilo Doi-Codi, os pms prepararam um plano para “tirar” a informação da repórter.

Um dos policiais ligou para a redação do jornal, se passando por uma pessoa que queria fazer uma denúncia grave. Ela pediu para ele ir ao jornal, procedimento de rotina para este tipo de denúncia de fonte desconhecida, mas o mesmo se recusou. Então, marcaram de conversar no estacionamento de um supermercado ao lado do jornal. Lá, ela foi surpreendida pelos dois milicianos. Eles estavam à paisana, armados e já chegaram intimidando a jornalista: disseram que eram do reservado e investigavam o vazamento da informação. Insinuaram várias ameaças para que a jornalista revelasse a fonte. Profissional correta e corajosa, ela foi embora e seguiu direto para o Dipo, onde pediu ajuda à juíza-corregedora e formalizou uma reclamação contra o secretário.

O governo foi informado pela direção do jornal que a ameaça e coação à jornalista eram inadmissíveis e que se algo acontecesse com ela, o secretário seria responsabilizado. A trapalhada só não veio a público, porque os donos do jornalão adoram o Serra e acharam que podiam atrapalhar os planos futuros dele. Na mesma época, um investigador que ajudou um jornalista da TV Globo a confirmar informações de estatísticas sobre roubo e furtos de veículos em determinada região foi identificado e punido. O recado era simples: roubar, extorquir e matar pode. Vazar informações para a imprensa não pode. Era a época da Castelinho, da G4, dos policiais que roubaram e mataram o Fê – ladrão que participou do furto do Banco Central de Fortaleza e de tantos outros casos.

Lista

Nesta época, a tal assessora criou a lista dos jornalistas “inimigos da polícia”. Eram aqueles que ousavam criticar ou apenas mostrar os problemas na área da segurança pública em São Paulo. Amigos só os jornalistas e pseudo-jornalistas puxa-sacos, gansos e recolhas dos policiais. A lista foi distribuida discretamente em departamentos da Polícia Civil e batalhões da PM. Já que não conseguiam rastrear todas as fontes de todos os jornalistas, tentaram fechar as portas aos que mais incomodavam o governo.

As pesquisas na Prodesp foram suspensas, porque o pessoal do gabinete foi alertado para o risco de serem acusados de violação de sigilo, já que policiais e jornalistas eram investigados sem nenhum procedimento legal instaurado e por ordem de uma jornalista que nem funcionária pública era. Tudo para descobrir e cessar a fonte de matérias incômodas ao governo Alckmin.

Para completar o legado desta época, baixaram uma norma na Secretaria da Segurança tutelando o contato dos policiais com jornalistas, impedindo acesso ao boletim de ocorrência e punindo quem concedesse entrevistas sem autorização e sem antes passar pela assessoria. Quem desobedeceu as novas ordens foi repreendido e em alguns casos punido. Na prática, a assessoria de imprensa havia alcançado status de diretoria. Delegados experientes passaram a ter que dar explicações e pedir autorizações para jornalistas da equipe.

Os furos e exclusivas eram negociados em troca de notícias favoráveis e omissão de notícias ruins. A exceção só se aplicava aos delegados amigos do governo, como Nico, Olim, Ivaney, Bittencourt, e outros. Estes tinham liberdade para agir e falar. Era a turma que resolvia os problemas dos chefes (Desgualdo, Saulo e Alckmin). É a turma que pode ser encontrada na relação de doadores de campanha para Alckmin em 2006. E que faz campanha para voltar.

Amanhã você vai conhecer a segunda parte desta história.

Serra assume em 2007 e entrega a secretaria da segurança a Marzagão e Malheiros. O próprio governador indicou uma jornalista de confiança para comandar a comunicação social da pasta, uma das áreas mais críticas do governo. O plano já previa a sucessão presidencial de 2010. Mesmo com a ajuda de grande parte da imprensa paulista, a área tinha que ser controlada com mão de ferro para evitar surpresas que atrapalhassem a candidatura de Serra . Mais esperta que a antecessora, assim que assumiu baixou uma espécie de AI-5 na comunicação da segurança pública…continua…

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