Perito de SP compra apartamento de R$ 3 milhões à vista

Deu no Estadão de hoje:

Peritos têm contas sob suspeita
Coaf, braço do Ministério da Fazenda, analisou
movimentações bancárias de 7 policiais

Bruno Tavares e Marcelo Godoy

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras
(Coaf), braço do Ministério da Fazenda destinado
ao combate à lavagem de dinheiro, detectou
movimentações bancárias e operações imobiliárias
suspeitas ao analisar a evolução patrimonial de sete
peritos do Instituto de Criminalística (IC) de São
Paulo. Em 2009, aponta o relatório, a mulher de
um deles comprou à vista um apartamento de R$
3,1 milhões no Paraíso.
Os peritos são alvo de inquérito policial que apura
denúncias de corrupção. As suspeitas são de que
eles teriam recebido propina para produzir laudos
que atenuassem as responsabilidades dos
investigados em três dos mais graves acidentes
ocorridos em São Paulo nos últimos anos – o
desabamento da futura Estação Pinheiros do Metrô
(janeiro de 2007); a tragédia do voo 3054 da TAM
(julho de 2007) e a queda do teto da Igreja
Renascer (janeiro de 2009).
O inquérito foi aberto em 30 de novembro de 2009
pela 4ª Delegacia de Crimes Funcionais da
Corregedoria da Polícia Civil. Na ocasião, os
corregedores solicitaram ao Coaf a análise da
evolução patrimonial dos sete peritos.
O relatório de inteligência financeira chegou
recentemente à Corregedoria. Diante dos dados
apresentados, o Ministério Público Estadual (MPE)
decidiu solicitar a quebra dos sigilos bancário e
fiscal de dois dos investigados. A Justiça ainda não
se manifestou.
‘Arredondar’ um caso
A denúncia chegou aos promotores do Grupo de
Atuação Especial de Combate ao Crime
Organizado (Gaeco) em fevereiro de 2009. A carta
informava que um perito do Núcleo de Engenharia
do IC havia recebido R$ 2 milhões para
“arredondar” um caso, vendendo o resultado do
laudo. Tratava-se do laudo sobre o desabamento na
obra da Estação Pinheiros, em que sete pessoas
morreram. O dinheiro teria sido dividido com
outros três peritos no caso.
Em 16 de março deste ano, a Promotoria de Justiça
do Patrimônio Público e Social abriu procedimento
preparatório de inquérito civil a fim de verificar
eventual improbidade administrativa e
enriquecimento ilícito dos acusados. Os alvos
iniciais da apuração eram quatro peritos do IC.
Com o início da investigação, chegou-se à
conclusão de que outros três deviam ser
investigados.

O objetivo dos corregedores e
promotores é restringir a apuração em torno dos
principais peritos que atuaram nos casos sob
suspeita.
A Corregedoria reuniu cópias dos inquéritos sobre
a obra do Metrô, o desabamento da Igreja
Renascer e o acidente com o Airbus A320 da
TAM. Os corregedores consideram difícil obter a
prova de fraude nos laudos, mas, no caso do
acidente do Metrô, por exemplo, pretendem
confrontar os laudo do IC com o relatório do
Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), cujas
conclusões apresentaram discrepâncias.

http://www.jt.com.br/editorias/2010/05/17/ger-1.94.4.20100517.3.1.xml

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