Antropólogo acusa a revista "Veja" de inventar entrevista que ele não deu

 

Sabe aquele país que recebia de braços abertos quem o procurasse? Pois ele foi “inventado” por portugueses, que tinham uma máxima: o mundo cria, o vento espalha e o Brasil acolhe”. Foi assim durante os últimos cinco séculos. Acolheu gente boa e a escória. A escória a gente conhece do noticiário policial, ops!, quer dizer, político. Mas tem escória em muitas outras áreas, que se reinventa a bel prazer. Agora, tem uma escória que decidiu se tornar jornalista e escrever nessas revistas semanais que acreditam até em boimate (um híbrido de bovino com tomate). Essa escória prega um Brasil só para as elites e manipula a seu bel prazer as coisas para tornar o seu mundinho muito cor-de-rosa. Para embasar o que eu digo, leia o texto abaixo:

O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro,  professor do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), enviou carta à revista Veja, contestando declaração atribuída a ele pela publicação. Castro diz que matéria publicada na edição desta semana do semanário, intitulada “A farra dos antropólogos oportunistas”, inventou declaração sua sobre os índios.
A reportagem de Veja diz que antropólogos e especialistas em cultura indígena “inventaram o conceito de ‘índios ressurgidos” para se beneficiar da delimitação de terras destinadas pelo governo. O texto afirma que a “leniência” com que a Fundação Nacional do Índio (Funai) analisa e classifica  indígenas “permitiu que comunidades espalhadas pelo país se apresentassem como tribos desaparecidas”, mantendo vínculo com a cultura e ficando sujeitas a direitos destinados pela União.
Para embasar a tese de que grupos se intitulam erradamente como índios, Veja publica suposta declaração de Castro, explicando a origem da cultura. “Não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente de cultura indígena original”. A reportagem diz ainda que o antropólogo é defensor da teoria dos “índios ressurgidos”.
Em carta enviada à Veja, Castro diz que não teve contato com a reportagem da revista e que não concedeu entrevista aos autores da reportagem. “(…) Não pronunciei em qualquer ocasião, ou publiquei em qualquer veículo, reflexão tão grotesca, no conteúdo como na forma. Na verdade, a frase a mim mentirosamente atribuída contradiz o espírito de todas declarações que já tive ocasião de fazer sobre o tema. Assim sendo, cabe perguntar o que mais existiria de “montado” ou de simplesmente inventado na matéria. A qual, se me permitem a opinião, achei repugnante”, escreveu o antropólogo.
A revista, por sua vez, divulgou nota, contestando as críticas de Castro. Segundo a Veja, o antropólogo teria sido procurado por meio da assessoria de imprensa do Museu Nacional. Na ocasião, de acordo com a publicação, o antropólogo recomendou o uso de um artigo de sua autoria, chamado “No Brasil, todo mundo é índio, exceto quem não é”. O texto expressaria a opinião do especialista sobre o tema.
“A frase publicada por VEJA espelha opinião escrita mais de uma vez em seu texto (“Não é qualquer um; e não basta achar ou dizer; só é índio, como eu disse, quem se garante” e “pode-se dizer que ser índio é como aquilo que Lacan dizia sobre ser louco: não o é quem quer. Nem quem simplesmente o diz. Pois só é índio quem se garante”, reforça a revista, acrescentando que o antropólogo “pode não corroborar” com a íntegra da reportagem, mas “concorda, como está demonstrada em sua produção intelectual”, que a autodeclaração não é suficiente para que alguém seja considerado índio.
Após a resposta, o antropólogo publicou nova carta à revista, reiterando que o semanário “fabricou descaradamente” a declaração publicada. “Em meu texto sustento, ao contrário e positivamente, que é perfeitamente possível especificar diversas condições suficientes para se assumir uma identidade indígena”, diz Castro. “Talvez os responsáveis pela matéria não conheçam a diferença entre condições necessárias e condições suficientes. Que voltem aos bancos da escola”.

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