Síndrome de Maria Antonieta: Serra queria manter Carnaval em cidade arrasada por enchente

O que será que o povo de S. Luiz do Paraitinga achou da sugestão carnavalesca de Serra?

São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, vive momentos difíceis.  A cidade histórica foi praticamente destruída com a cheia do rio que corta o município. A enchente deixou um rastro de mortes, destruição e desolamento. Praticamente toda a cidade ficou desabrigada. Perderam tudo. Nem água tem para beber.

Em visita à cidade domingo, o governador de São Paulo, José Serra, pediu à prefeita que o tradicional carnaval de São Luiz não fosse cancelado!

O carnaval de São Luiz do Paraitinga é tradicional. Preserva tradições musicais. Há blocos e marchinhas. Atrai multidões. Mas como festejar e recepcionar milhares de foliões se as pessoas não tem o que comer, beber ou vestir. Perderam a casa, todos os pertences e documentos. Toda a infra-estrutura foi comprometida. Como pensar em Carnaval numa hora destas?

A sugestão foi logo refutada pela prefeita Ana Lúcia Bilard Sicherle. Embora seja do mesmo partido, ela teve a sensatez de explicar ao governador que não há clima na cidade para festas.

Talvez a lógica do tucano tenha sido a mesma de Maria Antonieta às vésperas da Revolução Francesa: não tem pão, que comam brioches. Ao defender a manutenção do carnaval em Paraitinga, Serra quis dizer:  perdeu tudo, bota a fantasia e vai pra rua encher a cara e festejar que passa.

O comentário nonsense, cruel e desrespeitoso de Serra está reproduzido na reportagem abaixo.

03/01/2010 20h12


Danos por chuva superam R$ 50 mi em São Luiz do Paraitinga; Serra promete ajuda

da Folha de S.Paulo
da Folha Online

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), disse neste domingo em São Luiz do Paraitinga (182 km de São Paulo) que é possível reconstruir a cidade e recuperar ao menos parte do patrimônio histórico destruído pelas chuvas. Sem falar em dinheiro, ele afirmou que o governo do Estado vai ajudar no que for preciso para a reconstruir o município.

Joel Silva/Folha Imagem
Escombros da igreja matriz, destruída pela chuva em São Luiz do Paraitinga; centro histórico da cidade ficou totalmente alagado
Escombros da igreja matriz, destruída pela chuva em São Luiz do Paraitinga; centro histórico da cidade ficou totalmente alagado

Segundo o governador, é preciso fazer um levantamento para saber quanto será necessário para a reconstrução da cidade, que ficou totalmente alagada. A prefeita Ana Lúcia Bilard Sicherle (PSDB) estima em ao menos R$ 50 milhões a verba necessária, sem incluir a recuperação do patrimônio histórico.

Em visita à cidade, Serra pediu que o município não cancele a sua programação de Carnaval –uma das que mais atraem foliões no Estado. A prefeita disse, no entanto, que não há clima para a cidade realizar a festa, e confirmou o cancelamento.

Serra disse também que técnicos da Secretaria de Estado da Cultura vão fazer um estudo para saber se é possível e como deverá ser feita a restauração dos imóveis históricos.

Vítima

Um deslizamento de terra ocorrido neste domingo no bairro do Bom Retiro deixou uma pessoa soterrada. Segundo a Defesa Civil Estadual, a situação continua crítica na região, e até o início da noite a vítima ainda não havia sido removida.

Estragos

Com o grande volume de chuva, o rio Paraitinga, que corta a cidade, transbordou. Imóveis ficaram praticamente cobertos pela água. Todo o centro histórico –que abriga o conjunto arquitetônico de casas térreas e sobrados– foi inundado. De acordo com informações da prefeitura, a área tem cerca de 90 imóveis tombados pelo patrimônio histórico de São Paulo.

Prédios históricos estão danificados, entre eles a igreja matriz São Luiz de Tolosa, construída no século 19, que desabou no sábado.

Com a chuva, o nível do rio subiu quase 15 metros. As águas já baixaram cerca de 3,5 metros desde ontem, e a expectativa é que sejam necessários mais três dias para voltar à normalidade, afirma a Defesa Civil.

Ao todo, a cidade tem mais de 9.000 pessoas desabrigadas ou desalojadas. Mais de 3.000 pessoas, entre turistas e moradores, estão ilhados na região alta da cidade. Botes enviados pela Polícia Militar e pelo Exército levam alimentos e bebidas e, na volta, trazem as pessoas para a rodovia, onde a Defesa Civil Estadual montou uma base de apoio.

Ainda há riscos de muitos deslizamentos na cidade, que estão sendo analisados por geólogos no local. Os telefones fixos não funcionam, as ligações por celular estão instáveis e não há iluminação na parte alta da cidade. “Quase metade da cidade está submersa. No centro histórico, até o telhado está debaixo d’água”, disse o coronel Luiz Massao Kita, coordenador da Defesa Civil Estadual.

Colaboraram ROGÉRIO PAGNAN, da Folha de S.Paulo e ESTELITA HASS CARAZZAI, da Agência Folha

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u674154.shtml

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s