Vale a pena!

Imbroglione indico: artigo de André Forastieri que acaba de ser publicado no R7.

http://blogs.r7.com/andre-forastieri/2009/10/22/rio-de-janeiro-apagando-o-incendio-com-gasolina

Rio de Janeiro: apagando o incêndio com gasolina

O secretário estadual de segurança do estado do Rio, José Mariano Beltrame, disse que quer transformar a queda do helicóptero policial metralhado “no 11 de setembro da segurança pública do Rio e do país”.

Baixou o Bush no secretário. Tem que resolver é na porrada etc.

Hmm, os números dizem outra coisa.

Um estudo da Universidade Cândido Mendes comparou os números da segurança nos estados do Rio e São Paulo. A polícia de São Paulo, perto da do Rio, é mole.

No Rio, a polícia mata uma pessoa para cada 265 presas. Em São Paulo, é um morto para cada 1851 presos.

E os resultados são: a taxa de homicídios geral no Rio é quase quatro vezes maior que a de São Paulo. Lá, 35,9 mortos por 100 mil habitantes. Aqui, 10,5 por 100 mil.

Não tenho simpatia por polícia, nenhuma, e muito menos a de São Paulo, que está mais perto de mim. E certamente existem muitos outros fatores que ajudam a explicar os resultados acima.

Mas esses números são forte evidência de que matar mais criminosos não diminui o crime. Aumenta. Violência gera violência, lembra dessa?

Mas o secretário Beltrame tem outras ideias. Por suas declarações belicosas, resta saber quais serão o Afeganistão e Iraque escolhidos. E quem são o Taliban a se enfrentar numa guerra sem fim e o Saddam para enforcar.

Eu sou totalmente pacífico e imagino que você, amigo leitor, também seja.

Mas se o Secretário quer enfrentar o problema à bala, precisa da nossa ajuda para acertar na mira. Se é por falta de sugestões, dou as minhas.

O Taliban – a organização ultraconservadora – que tem a maior responsabilidade pela morte de policiais militares no Rio é a… Polícia Militar.

Porque tem pouca gente. Porque tem equipamento ruim. Porque tem treinamento péssimo. E porque um policial em início de carreira ganha R$ 950,00. Para se arriscar a morrer?

Tem que ser muito burro topar a amolação e o risco de ser PM por esta grana. Ou, alternativamente, tem que ver o trabalho de PM como uma oportunidade de ganhar muito mais – por fora.

Principal: a PM não devia existir. A Polícia Militar é uma invenção de governantes militares. Isso não existe em país civilizado. Enquanto o Brasil tiver Polícia Militar, será um país violento.

É difícil acabar com todas de uma vez. Vamos começar com a do Rio, que tem a pior fama. É só abolir a Polícia Militar que os policiais militares vão parar de morrer. Simples!

Agora, se é pra enforcar um governante, as escolhas são menos claras.

O Presidente da República tem sua parte da responsa porque tem a chave do cofre, mas está longe e tem mais armas que a PM carioca.

O Governador do Rio tem sua parte na responsa mas é superior do Secretário. Pega mal enforcar o superior.

A opção menos ruim é o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Tá certo que ele assumiu esse ano e já pegou uma bela bomba. Mas está fazendo por merecer. Por que?

Porque ele estabeleceu uma austeridade fiscal muito rigorosa nos gastos da cidade, desde que entrou. Cortou na carne os investimentos. Assim, até agosto de 2009, o município do Rio teve um superávit primário de R$ 1,88 bilhão, muito superior à meta de R$ 280 milhões.

A cidade tinha uma dotação orçamentária de R$ 830 milhões. Investiu só R$100 milhões.

Só em educação e saúde foram mantidos os investimentos previstos, porque os gastos mínimos são limitados pela Constituição. O resto, dane-se.

A secretária da fazenda da cidade, Eduarda La Rocque, disse ontem ao jornal Valor Econômico que “não investimos quase nada ainda e a ideia é segurar o orçamento, porque o prefeito Eduardo Paes tem falado muito que quer ter orçamento próprio para fazer os investimentos necessários para a Olimpíada”.

Em uma cidade com o nível de pobreza e tensão social no Rio, deixar de executar o orçamento municipal de 2009 para economizar para a Olimpíada de 2016 é jogar gasolina na fogueira.

Existe evidência acadêmica inquestionável sobre qual é o principal combustível para a criminalidade urbana: homens de 14 a 25 anos, pobres, sem educação, perspectiva ou esperança.

Em qualquer lugar do planeta: Johannesburgo, Los Angeles, Faixa de Gaza ou Rio.

Educar não basta.

Tem que educar em um país onde os inteligentes sejam premiados, os pobres protegidos e os culpados, punidos.

Cada Sarney que sai impune ensina para os meninos do Rio: nesse país a polícia não prende quem tem grana e só vale a lei do cão. Esta é a questão a ser enfrentada pelo poder público nacional. Não vejo sinal de iniciativas do porte que precisamos.

Enquanto não encaramos o problema de frente, fazer o quê, vamos de paliativos mesmo…

Seria realmente uma medida um pouco drástica, a polícia carioca executar o prefeito. Fico horrorizado de imaginar o corpo de Eduardo Paes num carrinho de supermercado.

Por outro lado, isso assustaria os dignitários dos cinco continentes que pensam em visitar o Brasil na Copa e Olimpíadas. Porque governantes são assim – não estão nem aí com violência, a não ser que seja contra eles.

Com sorte, os dois eventos seriam deslocados para países mais merecedores e preparados. E o Brasil poderia usar melhor essa grana toda, gastar com coisas mais importantes. Como, por exemplo, a segurança dos brasileiros.

get

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s